<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-11687916</id><updated>2011-04-22T05:07:40.651+01:00</updated><title type='text'>74 Revolução</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://74revolucao.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11687916/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://74revolucao.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Filha da Revolução</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06810646930083133707</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>7</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11687916.post-111394522680073962</id><published>2005-04-19T22:12:00.000+01:00</published><updated>2005-04-19T22:13:46.803+01:00</updated><title type='text'>A mão do homem</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;    Ardia-lhe o peito. Não sabia bem se pelo peso do papel que trazia no bolso da camisa, se pela marca do olhar daquele homem e pela repentina consciência do que sentia por ele, apesar de tudo. Pouco sabia dele. Era pai da sua mãe, aquele velho que apareceu de repente diante de si.&lt;br /&gt;Era "vermelho", baderneiro e nunca deu nada à família. Foi isso o que sempre ouviu da boca do seu pai, próspero comerciante. — Fui eu quem deu de comer à pobre da sua avó enquanto ele andava preso e o cabrão ainda me cospe no prato!Achava engraçada a rixa de família, mas aquilo tudo tinha sido sempre muito distante para ele.&lt;br /&gt;Poucas vezes esteve com ele, mas lembrava-se vagamente de vê-lo sorrir quando era muito pequeno e iam lá à casa da avó. Entravam e saíam homens, sempre cochichando, atarefados, mas ele sempre lhe sorria.&lt;br /&gt;Cresceu, estudou e agora era já doutor, carro novinho, bom emprego, algumas brigas com o pai, mas nada de sério.&lt;br /&gt;A mãe, enquanto foi viva, pouco falou dele. Tinha mágoas por o pai não ter ido ao seu casamento.&lt;br /&gt;Recebeu a notícia da doença do velho quase como se fosse um estranho e agora isto, este chamado e este estranho pedido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegou à casa do avô contando com uma qualquer questão de dinheiro, um pedido de ajuda, e já estava fazendo contas para se livrar com tranqüilidade do problema. Nada durante seus 28 anos de vida confortável o preparara para o que encontrou lá.&lt;br /&gt;O velho estava sentado na varanda, o corpo pequeno acomodado na cadeira e sobre o colo a mão inerte, contrariando a força contida naqueles olhos resolutos e brilhantes.Sem saber bem como se comportar, estendeu-lhe a mão, mas o velho apenas acenou com a cabeça indicando um banco em frente dele.&lt;br /&gt;Começou a contar o dia do seu nascimento. Disse o velho que chorou. E depois falou de 1974, o ano em que floresceu o cravo.&lt;br /&gt;Nunca tinha tido a mais vaga idéia de que o avô tinha estado mesmo lá, desde a primeira hora e muito antes, preparando a luta.&lt;br /&gt;Achava todas aquelas coisas muito antigas e pouco úteis. O mundo e o país tinham mudado, agora o importante era ser alguém, fazer dinheiro, ter conforto.&lt;br /&gt;O velho falou horas a fio. Às vezes parecia cansado, mas uma lembrança o recriava jovem e forte.&lt;br /&gt;Falou da ditadura, do sofrimento e da morte que espreitou esse país tanto tempo. Falou da coragem dos que conspiraram a manhã de Abril. Mas, mais que tudo, falou do povo nas ruas, do sorriso estampados em todos os rostos, da igualdade possível, dos sonhos feitos de pão, cravos e fuzis.&lt;br /&gt;Falou-lhe que neste dia, enquanto corria por toda parte, pensou nele, no neto pequenino e no mundo novo que se abria para ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois falou do triste Novembro, em que vieram apagar o sonho e os sorrisos dos homens, mas também da verdade que ninguém apaga. Falou nos 28 desfiles a que compareceu, ano após ano, com a garganta cheia de Abril e esperança. Naquele ano não ia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois se calou, e suavemente desceram daqueles olhos duas lágrimas silenciosas.Ele percebeu que era tempo de ir e, agora, enquanto os faróis comiam a estrada refazia mentalmente os planos para o feriado, como sempre, com seus amigos, velejar…Ardia-lhe o peito, no bolso uma carta aos camaradas de Lisboa, explicando a ausência do seu avô naquela comemoração do 25 de Abril.&lt;br /&gt;Quem foi à avenida naquele ano viu; naquele feriado ele não velejou com os amigos… &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11687916-111394522680073962?l=74revolucao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://74revolucao.blogspot.com/feeds/111394522680073962/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11687916&amp;postID=111394522680073962' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11687916/posts/default/111394522680073962'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11687916/posts/default/111394522680073962'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://74revolucao.blogspot.com/2005/04/mo-do-homem.html' title='A mão do homem'/><author><name>Filha da Revolução</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06810646930083133707</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11687916.post-111282810832879325</id><published>2005-04-06T23:44:00.000+01:00</published><updated>2005-04-06T23:59:47.386+01:00</updated><title type='text'>Maio-Abril (1968-1975) - 4ª Parte</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;XI&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;(Conspiração)&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Já não éramos homens&lt;br /&gt;mas palor de coisas,&lt;br /&gt;objectos,&lt;br /&gt;bonecos opacos de feira,&lt;br /&gt;códigos, arames, insectos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que remédio&lt;br /&gt;senão conspirarmos com uma cadeira! &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;José Gomes Ferreira&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11687916-111282810832879325?l=74revolucao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://74revolucao.blogspot.com/feeds/111282810832879325/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11687916&amp;postID=111282810832879325' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11687916/posts/default/111282810832879325'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11687916/posts/default/111282810832879325'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://74revolucao.blogspot.com/2005/04/maio-abril-1968-1975-4-parte.html' title='Maio-Abril (1968-1975) - 4ª Parte'/><author><name>Filha da Revolução</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06810646930083133707</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11687916.post-111282740571669819</id><published>2005-04-06T23:36:00.000+01:00</published><updated>2005-04-06T23:43:25.716+01:00</updated><title type='text'>Maio-Abril (1968-1975) - 3ª Parte</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;X&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;(Convidados por um amigo fomos&lt;br /&gt;almoçar a Oliveira de Azeméis.&lt;br /&gt;Lá soubemos que o Salazar tinha&lt;br /&gt;caído de uma cadeira e ia ser&lt;br /&gt;operado ao cérebro.&lt;br /&gt;«Está arrumado» - comentou o&lt;br /&gt;nosso informador, convicto.)&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Naquele dia&lt;br /&gt;os anjos mutilaram as mãos de prata&lt;br /&gt;para não o segurarem na queda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E a terra com alegria&lt;br /&gt;de não ser abstracta&lt;br /&gt;não se abriu em alçapões de seda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cada vez mais pedra compacta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;José Gomes Ferreira&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11687916-111282740571669819?l=74revolucao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://74revolucao.blogspot.com/feeds/111282740571669819/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11687916&amp;postID=111282740571669819' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11687916/posts/default/111282740571669819'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11687916/posts/default/111282740571669819'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://74revolucao.blogspot.com/2005/04/maio-abril-1968-1975-3-parte.html' title='Maio-Abril (1968-1975) - 3ª Parte'/><author><name>Filha da Revolução</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06810646930083133707</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11687916.post-111281930619715990</id><published>2005-04-06T21:05:00.000+01:00</published><updated>2005-04-06T21:28:26.200+01:00</updated><title type='text'>Maio-Abril (1968-1975) - 2ª Parte</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;VII&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;(Fim-de-semana na minha casa em Albarraque.&lt;br /&gt;Manifesto contra a paciência.)&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Não imites a paciência das macieiras&lt;br /&gt;que esperam, há séculos, com o sol por dentro,&lt;br /&gt;o azul total&lt;br /&gt;e as reacções químicas necessárias&lt;br /&gt;para nascerem asas nas maçãs&lt;br /&gt;que pintarão de outra luz&lt;br /&gt;a longa paciência da terra&lt;br /&gt;no ruído calado das manhãs.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora são os homens que não querem esperar.&lt;br /&gt;Nem eu com eles.&lt;br /&gt;Queremos asas já.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abaixo a tua paciência, macieira,&lt;br /&gt;e viva a dinamite verdadeira!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;José Gomes Ferreira&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11687916-111281930619715990?l=74revolucao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://74revolucao.blogspot.com/feeds/111281930619715990/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11687916&amp;postID=111281930619715990' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11687916/posts/default/111281930619715990'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11687916/posts/default/111281930619715990'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://74revolucao.blogspot.com/2005/04/maio-abril-1968-1975-2-parte.html' title='Maio-Abril (1968-1975) - 2ª Parte'/><author><name>Filha da Revolução</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06810646930083133707</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11687916.post-111281549002019378</id><published>2005-04-06T20:19:00.000+01:00</published><updated>2005-04-06T21:05:00.990+01:00</updated><title type='text'>Maio-Abril (1968-1975) - 1ª Parte</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;II&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;(A caminho da cave do Martinho.&lt;br /&gt;Os ardinas apregoam os jornais com as últimas&lt;br /&gt;notícias do que já chamam com algum exagero,&lt;br /&gt;a 2ª Revolução Francesa... Na Avenida da Liberdade&lt;br /&gt;paro, perto do canteiro onde está um busto de&lt;br /&gt;um morto já morto em vida, para&lt;br /&gt;ver um miudo que joga ao berlinde.)&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;O perfume da primavera mudou de timbre&lt;br /&gt;confunde-se agora com o sol que o menino encontrou, enterrado no chão,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;quando fazia a cova&lt;br /&gt;para jogar o berlinde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E eis agora ao que se reduz&lt;br /&gt;a aprendizagem da revolução.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meter cores em covas&lt;br /&gt;e esperar que das sementes&lt;br /&gt;cresçam aves com cantos de sexos nus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;José Gomes Ferreira&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11687916-111281549002019378?l=74revolucao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://74revolucao.blogspot.com/feeds/111281549002019378/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11687916&amp;postID=111281549002019378' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11687916/posts/default/111281549002019378'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11687916/posts/default/111281549002019378'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://74revolucao.blogspot.com/2005/04/maio-abril-1968-1975-1-parte.html' title='Maio-Abril (1968-1975) - 1ª Parte'/><author><name>Filha da Revolução</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06810646930083133707</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11687916.post-111184123224687782</id><published>2005-03-26T12:42:00.000Z</published><updated>2005-03-26T12:53:01.406Z</updated><title type='text'>Catarina Eufémia</title><content type='html'>Porque a Revolução é feita, muitas vezes através da poesia e porque a própria é Revolução. Falamos hoje de Catarina Eufémia.&lt;br /&gt;Para quem não sabe muito bem quem foi, mais informações &lt;a href="http://www.pcp.pt/actpol/temas/pcp/catarina/"&gt;aqui&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Cantar Alentejano&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chamava-se Catarina&lt;br /&gt;O Alentejo a viu nascer&lt;br /&gt;Serranas viram-na em vida&lt;br /&gt;Baleizão a viu morrer&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ceifeiras na manhã fria&lt;br /&gt;Flores na campa lhe vão pôr&lt;br /&gt;Ficou vermelha a campina&lt;br /&gt;Do sangue que então brotou&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acalma o furor campina&lt;br /&gt;Que o teu pranto não findou&lt;br /&gt;Quem viu morrer Catarina&lt;br /&gt;Não perdoa a quem matou&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aquela pomba tão branca&lt;br /&gt;Todos a querem p'ra si&lt;br /&gt;Ó Alentejo queimado&lt;br /&gt;Ninguém se lembra de ti&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aquela andorinha negra&lt;br /&gt;Bate as asas p'ra voar&lt;br /&gt;Ó Alentejo esquecido&lt;br /&gt;Inda um dia hás-de cantar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;José Afonso&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;___________________________&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Catarina Eufémia&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na vasta planície os trigos não ceifados.&lt;br /&gt;Ao longe oliveiras batidas pelo sol.&lt;br /&gt;Tu serena caminhas para os soldados&lt;br /&gt;com a ideia, para todos um farol.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A brisa não se levantara.&lt;br /&gt;Ias armada apenas da razão.&lt;br /&gt;Contigo os milhões que têm, fome&lt;br /&gt;contigo o povo que não come e que ali cultiva o nosso pão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O monstro empunhava as armas de aço.&lt;br /&gt;Tu pedindo a paz serena caminhavas&lt;br /&gt;levando um filho no colo outro no regaço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As armas dispararam, tu tombaste.&lt;br /&gt;Com teu sangue a terra foi regada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E ali à luz do sol que tudo ardia&lt;br /&gt;dava mais um passo a nossa caminhada.&lt;br /&gt;Na boca da mulher assassinada&lt;br /&gt;certeza da vitória nos sorria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o sol que o teu sangue viu correr&lt;br /&gt;que teus camaradas viu ali aflitos&lt;br /&gt;ouvirá amanhã os nossos gritos&lt;br /&gt;quando o novo dia amanhecer&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que nessa terra heróica - Baleizão -&lt;br /&gt;onde se recolhe o trigo branco e loiro&lt;br /&gt;teu nome gravado em letras de oiro&lt;br /&gt;tem já cada um no coração&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Francisco Miguel&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11687916-111184123224687782?l=74revolucao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://74revolucao.blogspot.com/feeds/111184123224687782/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11687916&amp;postID=111184123224687782' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11687916/posts/default/111184123224687782'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11687916/posts/default/111184123224687782'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://74revolucao.blogspot.com/2005/03/catarina-eufmia.html' title='Catarina Eufémia'/><author><name>Filha da Revolução</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06810646930083133707</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11687916.post-111178066209510953</id><published>2005-03-25T19:52:00.000Z</published><updated>2005-03-25T19:58:50.890Z</updated><title type='text'>O Inicio</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Não poderia começar de outra maneira sem ser a falar de Abril. Essa Revolução eterna e nunca terminada... Porque a Revolução não é apenas aquele dia, é também o antes e o depois.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ficam aqui os comunicados do Movimento das Forças Armadas difundidos naquela noite a partir do Rádio Clube Português. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Para recordar ou, quem sabe, para conhecer.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Comunicado n.º 1&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;«Aqui Posto de Comando do Movimento das Forças Armadas. As Forças Armadas Portuguesas apelam para todos os habitantes da cidade de Lisboa no sentido de recolherem a suas casas nas quais se devem conservar com a máxima calma. Esperamos sinceramente que a gravidade da hora que vivemos não seja tristemente assinalada por qualquer acidente pessoal para o que apelamos para o bom senso dos comandos das forças militarizadas no sentido de serem evitados quaisquer confrontos com as Forças Armadas. Tal confronto, além de desnecessário, só poderá conduzir a sérios prejuízos individuais que enlutariam e criariam divisões entre os portugueses, o que há que evitar a todo o custo.&lt;br /&gt;Não obstante a expressa preocupação de não fazer correr a mínima gota de sangue de qualquer português, apelamos para o espírito cívico e profissional da classe médica esperando a sua ocorrência aos hospitais a fim de prestar a sua eventual colaboração que se deseja, sinceramente, desnecessária.»&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Comunicado n.º 2&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;«A todos os elementos das forças militarizadas e policiais o comando do Movimento das Forças Armadas aconselha a máxima prudência a fim de serem evitados quaisquer recontros perigosos. Não há intenção deliberada de fazer correr sangue desnecessariamente, mas tal acontecerá caso alguma provocação se venha a verificar.&lt;br /&gt;Apelamos para que regressem imediatamente aos seus quartéis, aguardando as ordens que lhes serão dadas pelo Movimento das Forças Armadas.&lt;br /&gt;Serão severamente responsabilizados todos os comandos que tentarem, por qualquer forma, conduzir os seus subordinados à luta com as Forças Armadas.»&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Comunicado n.º 3&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;«Aqui Posto de Comando das Forças Armadas. Informa-se a população de que, no sentido de evitar todo e qualquer incidente, ainda que involuntário, deverá recolher às suas casas, mantendo absoluta calma.&lt;br /&gt;A todos os componentes das forças militarizadas, nomeadamente às forças da G.N.R., PSP e ainda às forças da DGS e da Legião Portuguesa, que abusivamente foram recrutadas, lembra-se o seu dever cívico de contribuírem Para a manutenção da ordem pública, o que na presente situação só poderá ser alcançado se não for oposta qualquer reacção às Forças Armadas. Tal reacção nada teria de vantajoso pois apenas conduziria a um indesejável derramamento de sangue que em nada contribuiria para a união de todos os portugueses.&lt;br /&gt;Embora estando crentes no civismo e bom senso de todos os portugueses no sentido de evitarem todo e qualquer recontro armado, apelamos para que os médicos e pessoal de enfermagem se apresente aos hospitais para uma colaboração que fazemos votos por que seja desnecessária.»&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Comunicado n.º 4&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;«Atenção elementos das forças militarizadas e policiais. Uma vez que as Forças Armadas decidiram tomar a seu cargo a presente situação, será considerado delito grave qualquer oposição das forças militarizadas e policiais às unidades militares que cercam a cidade de Lisboa.&lt;br /&gt;A não obediência a este aviso poderá provocar um inútil derramamento de sangue cuja responsabilidade lhes será inteiramente atribuída.&lt;br /&gt;Deverá por conseguinte, conservar-se, dentro dos seus quartéis até receberem ordens do Movimento das Forças Armadas.&lt;br /&gt;Os comandos das forças militarizadas e policiais serão severamente responsabilizados caso incitem os seus subordinados à luta armada».&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Comunicado n.º 5&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;«Aqui Posto de Comando das Forças Armadas.Conforme tem sido transmitido, as Forças Armadas desencadearam na madrugada de hoje, uma série de acções com vista à libertação do País do regime que há tanto tempo o domina. Nos seus comunicados, as Forças Armadas têm apelado para a não intervenção das forças policiais, com o objectivo de se evitar derramamento de sangue. Embora este desejo se mantenha firme, não se hesitará em responder decidida e implacávelmente a qualquer oposição que se venha a manifestar. Consciente que interpreta os verdadeiros sentimentos da Nação, o Movimento das Forças Armadas prosseguirá na sua acção libertadora e pede à população que se mantenha calma e que se recolha às suas residências. Viva Portugal!».&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11687916-111178066209510953?l=74revolucao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://74revolucao.blogspot.com/feeds/111178066209510953/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11687916&amp;postID=111178066209510953' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11687916/posts/default/111178066209510953'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11687916/posts/default/111178066209510953'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://74revolucao.blogspot.com/2005/03/o-inicio.html' title='O Inicio'/><author><name>Filha da Revolução</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06810646930083133707</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
